Sou um mau leitor por natureza. Desde cedo que não "aprendi" a ler e nessa questão, veio até tarde o meu medo da escrita. Estive no 1.º Festival Literário da Madeira, e por ordem da montagem da Exposição aSUL, não andei com tempo para pensar nas coisas do Festival. A ilustração do livro de valter hugo mãe - "As coisas mais belas do mundo" levou-me ao convite que me endereçaram, dias antes. Estive na mesa dos escritores MAL DITOS.
Um susto nos toma, perante tamanha grandeza de escritores convidados. A cada mão, se desenham coisas diferentes. Cada livro fala de coisas interiores aos que os geram. Eu não sou escritor. "Pinto" narrativas de toques cutâneos.
Três dias incomuns ocuparam os meus sentidos. Eu, navegando por entre as PESSOAs que escrevem. Só no último dia e por mero acaso, quis o cosmos que a escritora Inês Pedrosa estivesse ali por perto. DIZER-LHE! Encher-me de coragem, como quando "mando" os meus desenhos para a frente dos olhos dos fruidores e dizer-lhe que comungo de algumas ideias que reescreve nas suas crónicas.
Quantas crónicas lidas e sorvidas nas páginas da Única (suplemento do semanário Expresso). Nunca li os livros, mas devorava as crónicas desta escritora. Gosto da sua critíca sincera, da atenção redobrada sobre problemáticas emergentes. Um olhar do mundo, actualizado.
E quando mais triste, me sinto, cito sempre, FAZES-ME FALTA.
A escritora Inês Pedrosa, dançava o bailinho ( na noite de sábado), lá pelos lados da Zona Velha do Funchal, e neste brincar de coisas folclóricas, encontrei um perfil espontâneo, descontraído. O mesmo corpo falante que, surtiu claro, quando assegurou as ideias da mesa na qual conferenciou. De natureza se fazem as pessoas...com naturalidade, debaixo de um céu de todos os dias convictos.
Ofereci um desenho meu, à escritora, era um lugar de "Festa". Árvores enfeitadas com luz e simulações de flores de arraial em dia branco. A noite redesenhada pela magia das luzes. Retribuiu o meu gesto, oferencendo-me um seu livro. Momento que me deixou atrapalhado. O título que ela pensou primeiro, para me dar não estava disponível. E nesta inciação à sua escrita deu-me: DO GRANDE E DO PEQUENO AMOR. Um romance imagético, vermelho! (E tantas vezes pintei eu, o vermelho). Encontrei-me ali, exposto, retratado, abraçado. Os gestos que praticamos e exercemos, trocas e partilhas comandadas por uma mão Maior.
Ontem quando cheguei a casa tirei os livros da mochila. Recordar dedicatórias, inteirar-me de escritas diversas, viajar na planície destes três dias de evento literário na Ilha. Descobri que Inês Pedrosa escreveu: "DO GRANDE E DIO PEQUENO AMOR Para o Afonso Cruz,/ com a cumplicidade da/ Inês Pedrosa/Funchal,3.4.2011." E eu a esforçar-me, na minha maneira tola de Estar, para que não dissesse - Inês "Lourenço" em vez de Inês Pedrosa. Ficou o lapso, talvez por sermos ambos carecas, Eu e o Afonso Cruz. Diverti-me com a confusão. Hoje o livro andou comigo, pela escola sem tempo para sentir-lhe a música. Tenho vontade de lê-lo, férias precisam-se.
Ao folhear o livro, à pouco, antes de iniciar a escrita no blog, vim dar com o seguinte excerto: Começar de novo parecia o acto mais antigo da humanidade. Uma mania de loucos: recomeçar para quê, se todos os dias avançamos para a morte? (p.37).
E eu digo, que é bom estar vivo, É bom respirar ou simplesmente estar aqui para gerir emoções. Estes dias foram de embalo ou abalo humano, que nos fazem crescer por dENTRO.
Obrigado Inês.
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