segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

trinta e cinco? talvez mais algumas dezenas aquelas/ almas doces que passaram por mim pelas minhas mãos/ enquanto segredavam de bocas famintas os limites da/ linguagem amorosa ou dos teoremas que desconhecemos// não me lembro de todos os rostos dos nomes das terras/ onde vivem misteriosas relações feitas de virtualidade/ cibernética. sim é verdade. como podemos administrar/ tanta informação e não sabermos dizer o que sentimos?// há toda a mesma fragilidade nas relações fabricadas/ lembras-te que me disseste que o amor é uma construção?/ acobardam-se no instante em que a magia desaparece o/ mesmo que a amargura demora no instante até à próxima. Poema 22. de Paulo Alexandre e Castro in GRAMÁTICA DO @MOR TECNOLÓGICO (Nov2009)
APRESENTAÇÃO DE LIVRO 18NOV2009, 16.00h, BIBLIOTECA MUNICIPAL DE CÂMARA DE LOBOS

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

oVELHAS

Um dia destes, rua fora a caminho do almoço, deparei com uma ovelha mirando-me. Aproximei-me da montra de santos, entidades estas que me olham todos os dias, reparei que no conjunto sacro, haviam 4 calmas ovelhas. A da foto, despertou-me um amor assolapado. Dias passaram e a ovelha, continuava namoriscando-me. Tomei coragem, e na última vez que a olhei (03Nov2009), entrei loja dentro. Não eram de barro, para pena minha. E pus-me a ruminar sobre o amor da ovelha. Comprei-a... por entre hesitações de tamanhos e materiais. Foi um amor barato, visto que pouca maçada me dará no seu cuidado diário.
É a minha nova companhia - a ovelha da montra. Ficou junto da aparelhagem de som que tenho no meu gabinete de trabalho. É uma ovelha comedida, pouco extravagante. Preciso de um nome para o meu amor...talvez Estrela, seria um "nome grande". Mas a sua couraça de lã, alva e branca - LIMPA - faz-me temer o pior, quando colocada junto das outras ovelhas. Afinal de contas esta é uma Ovelha BEJu. Mas a ovelha, de facto, soa-me a compadrio de estábulo e o Natal começa a fazer um ruído antecipado.
Quis eu, aqui publicar, o enamoramento de um homem redondo e uma oVELHA alva. Um "conto" de Natal BRANCO, este pequeno apontamento que exponho. PRECISO de um nome para o meu animal de três dias... a ovelha limita-se a não dizer nada; não dorme, não come... olha-ME com bastante TERNURA.

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

entreTANTO


Por vezes não percebemos a primazia das coisas. Tenho previligiado imagens no lugar de uma outra que fala de festa. Está arquivada no blog, surgem novas ideias, rumos diferenciados e vou inserindo novos dados. Um dia destes, exponho-a. Em detrimento desta conversa, irei falar da imagem que acompanha este texto (mais uma substituta). Captei-a numa madrugada, depois de um Concerto de Camané nos Jardins do Ilhéu de Câmara de Lobos (05 de Setembro de 2008).

A música é um acolhimento vivo do nosso quotidiano. Abraça-nos, apenas com algodão doce o vento de maresia luminosa. Vida fora, vamos apurando o nosso gosto. Antes não gostava de Camané, hoje é um extase degustar a sua voz, a sua inércia, o seu halo phado. Ele tem um trago na voz, uma masculinidade que fala da sensibilidade.

A imagem que trago, é uma folha de bananeira. Planta esta que teimo em criar no terraço que dá para o mar. A bananeira "Camané" (assim poderia designar), desde aí, já ramificou em mais dois braços, agora são três. A folha da bananeira, da foto, propõe-se em forma de falo, e deste assunto é coisa que não falo. Mas atendendo à sua suave verticalidade, procuro o seu endeusamento de um anil enfeitiçado. O meu falo azul, feito de folha (...de bananeira), emite uma dança erecta do prazer...
Ascendemos por um pedaço de céu que nos preencha a retina. Por vezes matamos o poema que nasce em nós. Eu procuro lutar, desafiando a minha própria natureza. Só por isso, hoje as minhas mãos desenham um canto, onde me possa APAIXONAR ensandecidamente.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

L A R A N J A


Ponta de faca sobre a superfície da casca de laranja. Desenho perpetrado no dia 16 de Outubro de 2009... diálogos de expressão plástica, exercitados a partir da condição humana. Respirações profundas de interiores em resolução. Após dois dias (18 de Outubro de 2009) o fruto começou a evidenciar as suas feridas, as linhas dilatam-se, as margens de corte oxidam. No todo, espirais ramificam-se, interligam-se - encadeamento da vida, somos causa e consequência. ILHAS.

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

i NAU gur AÇÕES

Projecto "ovelha.s"Intervenção mural no exterior da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos da Fajã da Ovelha - Calheta (Jul2009).
PONDERAÇÕES: Uma continuidade da paisagem, no espaço físico do edifício. Programação azul, daquilo que se estende perante a vista, numa dimensão esmagadora da sensibilidade poética do ESPAÇO. Uma remissão do sublime a preencher-nos por dentro do corpo. Uma alusão do lugar que nos espera se não formos "ovelha.s". Jogos de cor. nuVENS(?)

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

DESENHando o ABsurdo


Pêlo da minha sobrancelha direita.
Havia um pêlo descomunal, entre
os outros que definem as minhas
sobrancelhas de forma forte e marcada.
Decidi arrancá-lo
(noite de 10Out2009,
depois dum livro que se quis lançar),
Assaltou-me uma dúvida:
- Que fazer com ele...? Lixo (?).
Acho que daria algo interessante.
Depois de alguns ensaios sobre papel
de aguarela (400 grs), ei-lo desenhando-se,
a si mesmo. Arte é arte. (rsrsrsrsrsrsrs)

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

l u g AR e s


Pôr-do-sol na vista da esplanada Biblioteca Municipal de Câmara de Lobos, 1oOut2009

"Se uma gaivota viesse, trazer-me o céu..."
Segunda-feira, madruga sobre o corpo uma inércia do nada. Abstenção das coisas da vida. A ilha persiste, desiste de si mesma. Ainda resta a paisagem, submersa por um olhar que a contempla.
O livro que anda comigo, tem um mês, O Filho Eterno ( de Cristóvão Tezza, 2007 - Prémios: Portugal Telecom, 2008 e Jabuti, 2008). Prolonga-se a leitura num consumo demorado. Tudo à volta de uma personagem que é escritor. O contraponto entre a não aceitação pública dos seus livros e como pai de uma criança com síndrome de down. DOWN. DOWN. DOWN. UP.
O plano do horizonte, é uma imagem eterna (?). Lugares belos ou menos interessantes, conforme a alma que os capta. Mas os lugares também podem conter alma, e aí, a empatia tem lugar ou não. As almas encontram-se vida fora, ou reencontram-se num plano cósmico.
Ontem, tarde de Domingo, "morrem" os últimos momentos da exposição de Helena Sousa na Galeria dos Prazeres. Lugares incomuns, PAISAGENS INCOMUNS - a Helena S.; os seus trabalhos e a Galeria. Apaixonei-me pela alma de um quadro. Todos eles, eram motivo de paixão. Mas aquele, sei que não me desiludirá, com o passar do tempo (como nos contos de amor). Em vez de céu havia ouro, e a lua vivia amarrada por uma flor borDADA. Uma paisagem perfeita. As "férias" eternas num lugar qualquer, o qual aspiramos um dia vir a tê-lo. Motivo para diálogo, sobre o que as mãos de um artista constrói, e o construído. O peso da fala, sobre o interior do corpo do autor. A H.S. ensaia a vida, este momento particular da vida dela onde recria um parênteses. Colagens e recortes internos, a desmontar a HIPOCRISIA social. Nos animais há mais partilha, mais coração incondicional. Vejo os estendais, que se repetem sobre as colagens, como arremesso poético da paisagem. Um cheiro de roupa a corar; coisas da memória, aglomerações do sentir na VERDADE, nua e crua. Céu azul, vontade de vida lá fora, sob a paisagem verde intenso do Sítio dos Prazeres. Eu regressei ao Funchal, mesmo no bater das 18:00 horas. Dentro da Galeria, pouco tempo depois, sabia que a Helena Sousa despia o vestido de noite e guardo-ou numa caixa com fita de seda. Há pessoas que falam com o olhar, com o corpo, limpas de ruídos impertinentes. Outras, poucas, falam com as mãos a fazer arte.
Continua sendo segunda-feira, a inércia das coisas boas, só agora, toma conta de mim.